Investimento público e construção civil despencam ao menor patamar em 10 anos

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Os investimentos públicos estão no menor patamar dos últimos dez anos, o que pune principalmente o setor da construção civil e contribui para puxar o PIB (Produto Interno Bruto) para baixo.
Em meio ao forte esforço para reduzir despesas e cumprir a meta fiscal, os investimentos do governo federal nos primeiros sete meses do ano somaram R$ 16,3 bilhões, quase R$ 10 bilhões a menos do que o mesmo período de 2016 e o menor valor desde 2008, quando começa a série disponibilizada à Folha pelo Tesouro Nacional, com dados corrigidos pela inflação.
Nesse grupo estão incluídas obras públicas e compra de novas instalações para órgãos do governo, além de material de uso permanente, como computadores.
Os investimentos são os candidatos naturais a corte em tempos de ajuste, uma vez que mais de 90% das despesas públicas obedecem a regras de desembolso e não podem ser reduzidas sem mudar a legislação. Por outro lado, são um importante fator de estímulo à economia.
Manoel Pires, economista da FGV e ex-secretário de Política Econômica do governo Dilma Rousseff, afirma que cortar investimentos tem forte impacto na atividade, superior à redução de despesas com funcionalismo ou com subsídios, por exemplo.

INVESTIMENTOS E INVERSÕES FINANCEIRAS ENTRE JAN E JUL – Em R$milhões

“Quando se aumentam os subsídios, o efeito sobre a atividade é marginal. No caso de despesas com pessoal, é de 0,6 a 0,7 [ponto percentual] no PIB. Para investimentos, isso sobe para 1,4 a 1,6 [ponto percentual]”, afirma.
Em outras palavras, a cada R$ 1 gasto pelo governo com investimentos, o PIB aumenta R$ 1,60. Se há corte, o impacto é oposto.
Para Fabio Klein, da consultoria Tendências, sem a reforma da Previdência ou a redução de subsídios —este último também só pode ser mudado por decisão do Congresso Nacional—, não é possível fazer outro tipo de ajuste.
“[O corte dos] investimentos são quase a única solução para cumprir a meta. A economia está sendo feita evitando um gasto bom”, disse.
Apesar dos efeito adverso na atividade, Klein afirma que o ajuste é indispensável para a recuperação da economia, uma vez que indica que a evolução das despesas no futuro é sustentável e compatível com as receitas públicas.

CONSTRUÇÃO CÍVIL

Observando os investimentos no detalhe, é possível verificar que são as obras os principais alvos de corte.
Levantamento do Tesouro mostra que os gastos com investimentos caíram 13% desde o fim de 2013, ano anterior ao do início da recessão. Mas as despesas com obras, conservação de estradas e Minha Casa, Minha Vida despencaram 40% no período.
Em julho (somando as despesas dos últimos 12 meses), esses gastos somaram R$ 19 bilhões, ante os R$ 32 bilhões despendidos em 2013.
Segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), as contratações do Minha Casa, Minha Vida caíram a menos da metade de 2013 a 2016. Em 2013, foram 940 mil unidades, ante 385 mil no fim de 2016.
Além disso, o governo encolheu as despesas com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
“O governo disse que iria retomar 1.600 obras que estavam paradas, dentro de um universo ainda maior [de investimentos atrasados]. Mas, do jeito que cortaram despesas, não devem chegar nem a essa marca”, disse José Carlos Martins, da CBIC.
Com dificuldades de caixa, o governo já sinalizou que o PAC poderá ser reduzido ainda mais em 2018, caso não consiga cortar despesas obrigatórias com as reformas.
A contração nos gastos públicos, aliada à crise do setor imobiliário, fez a construção civil encolher ao patamar de seis anos atrás, em 2009, ano em que o país sofria os efeitos da crise financeira global.
Desde o início da recessão, no segundo trimestre de 2014, a atividade encolheu 21%, segundo dados do IBGE.
A construção e sua cadeia de materiais respondem por cerca de 10% do PIB, calcula a CBIC. E sua debilidade está empurrando os investimentos no setor e a indústria para o vermelho.
Presidente do Sinduscon-SP (sindicato da construção), José Romeu Ferraz Neto ressalta que, além da contração das obras públicas em razão do ajuste fiscal do governo, o setor também patina, digerindo o excesso de oferta de habitações dos últimos anos.
Economistas do governo falam que o segmento imobiliário produziu uma bolha, com a liberação de empréstimos para pessoas com menor capacidade de endividamento, o que levou a uma sobrevalorização dos imóveis.
Ferraz não concorda e atribui o excesso de oferta à perda de renda da população, além da alta da inflação e dos juros nos últimos anos.
Segundo projeções da CBIC, a construção civil como um todo (inclusive infraestrutura) fechará 2017 com uma retração de 3,5%, no quarto ano consecutivo de queda.
Presidente da entidade, José Carlos Martins diz que os recursos cativos da habitação também minguaram, o que retirou verba da construção.
Em seus cálculos, os recursos vindos dos depósitos da poupança —65% são carimbados para o financiamento imobiliário— encolheram de R$ 120 bilhões em 2014 para uma projeção de R$ 40 bilhões neste ano. “Os depósitos voltaram a se recuperar nos últimos meses, mas estamos a séculos da situação que tínhamos no passado.”
Uma das medidas listadas pelo setor para ajudar na recuperação é a legislação para regular a desistência na compra de imóveis, os distratos. A crise econômica levou muitos consumidores a desistir da compra, o que drenou a capacidade de investimento das construtoras.
A Secretaria de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça finalizou uma medida provisória para regularizar os distratos, mas o texto está parado na Casa Civil.
O secretário de Defesa do Consumidor, Arthur Rollo, diz que, pela proposta, consumidores pagarão mais se desistirem do negócio (até 50% do valor pago, limitado a 10% do valor do imóvel), mas as construtoras terão que permitir a desistência, com ressarcimento integral, se ela ocorrer em até sete dias.

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Fone:
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/09/1917134-construcao-encolhe-21-durante-a-crise-e-volta-ao-patamar-de-2009.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/09/1917123-investimento-publico-despenca-para-o-menor-patamar-em-10-anos-e-afeta-pib.shtml
http://arte.folha.uol.com.br/graficos/RvDje/?w=620&h=455

 

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